BLUE ZONES: SEGREDOS DE UMA VIDA LONGA

06.09.2018 em Novidades e Inspirações.
Autor do post: Dan Buettner, na plataforma Plenae

Com muita energia e acompanhado por fotos maravilhosas de sua equipe da National Geographic, Dan Buettner* encerrou o ciclo de aprendizados de maneira inspiradora. Durante o evento de lançamento da plataforma Plenae, ele contou sua experiência viajando os cinco lugares do mundo onde as pessoas vivem por mais tempo e são mais saudáveis.

ONDE MORAM AS PESSOAS QUE MAIS VIVEM NO MUNDO?

Estudos nos mostram que apenas 20% de nossa longevidade é ditada por genes, 10% é ditada pela tecnologia médica e todo o resto depende de nosso ambiente e estilo de vida. Em um trabalho que foi muito além do ambiente restrito dos laboratórios e envolveu diversos profissionais de diferentes áreas, Dan Buettner foi até 5 áreas do globo onde as pessoas vivem, estatisticamente, mais. São regiões chamadas de Blue Zones, repletas de idosos centenários que, de geração em geração, vivem mais e vivem bem.

14 vilarejos na Sardenha, na Itália

Um conjunto de vilarejos isolados na região da Sardenha, na Itália, agrupa um alto número de idosos centenários que adotam uma dieta muito específica: suas refeições quase sempre têm um tipo de pão produzido na região, um queijo probiótico feito do queijo de suas cabras e um vinho caseiro. Em sua sociedade, a família sempre vem antes. Tudo o que eles fazem é motivado por ela, que é a prioridade e o centro de tudo. Nestes vilarejos, pessoas idosas são celebradas por sua sabedoria, constantemente solicitadas para aconselhar os mais jovens, inclusive em decisões políticas da região.

Ilha de Okinawa, no Japão

Uma população que come basicamente legumes, seguindo uma dieta de 200 anos que os ensina a parar de comer antes de seu estômago estar cem por cento cheio. Em Okinawa, a solidão não existe. Desde os 5 anos de idade, as pessoas ingressam em clusters, pequenas sociedades que se ajudam – e se encontram – durante toda a vida. O propósito dos habitantes de Okinawa é muito arraigado, sendo quase uma mistura de propósito e responsabilidade: dê de volta. Outra curiosidade de Okinawa é que lá, as mulheres são as líderes espirituais.

Loma Linda, Califórnia, nos EUA

Lá vive uma grande comunidade de adventistas, cristãos conservadores que vivem uma década mais que a população média dos Estados Unidos. Isso sem estarem isolados em uma ilha no Japão ou no Mediterrâneo. Como isso é possível? Entre outros fatores, porque apesar de não se encontrarem geograficamente isolados, isolaram-se culturalmente. Todas as semanas, os adventistas guardam o sábado, quando param por um dia inteiro para se dedicar a Deus e caminhar na natureza. Sua dieta é derivada de uma passagem bíblica que diz que Deus fez as árvores e frutas para a alimentação do homem – por isso, não comem carne. Vivem em uma forte comunidade, que está sempre se encontrando e que valoriza o trabalho braçal e o movimento físico.

Nicoya, Costa Rica

Essa comunidade pobre, mas com as menores taxas de mortalidade na meia-idade no mundo e alta expectativa de vida nos lembra que longevidade não é sinônimo de ser rico. Sua dieta é baseada em ingredientes que reúnem todos os aminoácidos necessários para nosso corpo. Sua vida simples, em comunidade, cunhou a expressão “pura vida”, que usam como “bom dia”. Ela traz em sua essência a “sensação de se estar bem, mesmo em meio à mais pura simplicidade”.

Ikaría, Grécia

Esta área muito isolada geograficamente reúne centenários que se alimentam com a dieta mediterrânea, rica em vegetais, feijões e ervas – não só como tempero, mas também como ingredientes de chás extremamente anti-inflamatórios. Os habitantes da região cultivam suas próprias comidas, poucos têm carro e são muito participativos na comunidade.

“NÃO SEI PORQUE VIVI TANTO, ACHO QUE APENAS ME ESQUECI DE MORRER”

Buettner levou 5 anos e 27 viagens até as Blue Zones para descobrir que o segredo da longevidade dessas pessoas não estava apenas em sua dieta ou em algum componente genético. Ouvindo a frase acima de um dos pesquisados, ele percebeu que era sobre muito mais que isso: era sobre simplesmente não se esforçar para chegar lá. Em todos os pesquisados, Dan percebeu que ninguém se esforçou para alcançar uma velhice plena e saudável. Os habitantes dessas regiões apenas deixaram a longevidade chegar. Não seguiram receitas, não entraram na academia pensando em viver mais ou executaram conscientemente o estado de atenção plena. Apenas viveram.

Porém, viveram em um ambiente que proporcionou tudo de que precisavam sem nem perceberem. Nessas zonas, as pessoas são encorajadas a envelhecer bem como parte de cada hábito, cada pequena tarefa do dia. Elas se exercitam com atividades do dia a dia, fazendo pão, plantando, locomovendo-se nas vilas. Estão sempre ativas, executando tarefas que estimulam o corpo e a mente. Fazem meditações como parte de sua rotina, ou tiram uma soneca, ou tomam uma boa taça de vinho, diariamente. Comem de forma mais acertada, sem pressa. Colocam a família em primeiro lugar. Praticam uma fé. E, por fim, têm uma rede de amigos selecionada, que reforçam seus hábitos.

Dan Buettner durante o lançamento da Plataforma Plenae

Os habitantes dessas Blue Zones têm tanto estresse e preocupações cotidianas quanto nós. A diferença é que aqui, fora delas, no auge do mundo ocidental, nos acostumamos a um estilo de vida pouco saudável, a um mundo de facilidade e abundância. Nele, não nos mexemos naturalmente (por isso, temos que ir até a academia malhar), não comemos bem como parte normal da rotina (a não ser que decidamos começar uma dieta) e nem sempre somos incentivados pela sociedade e pela nossa rede de amigos a reforçar hábitos positivos (quando foi a última vez que você foi convidado para uma tarde de salada entre amigos?).

Longevidade tem mais a ver com um caminho natural advindo de um estilo de vida do que com um caminho artificial, forçado por nós mesmos. Ao ler este livro completo, ao relembrar todas as palestras, pense nisso: melhor que tentar aplicar uma ou outra técnica para sua vida é procurar uma mudança mais profunda, em seu estilo de vida como um todo. Antes de mais nada, crie um estilo de vida que facilite uma vida melhor. Se você criar ao seu redor um setup mais saudável e feliz, conseguirá atingir a longevidade. Melhor que isso, conseguirá construir uma vida naturalmente mais feliz enquanto chega lá.

Mudança de Hábito

COMO COLOCAR EM PRÁTICA

Responda as 8 perguntas abaixo com SIM ou NÃO:

1- Você dorme pelo menos 7 horas e meia todas as noites?

2- Você se movimenta pelo menos 25 minutos por dia?

3- Você come 3 porções de vegetais por dia?

4- Você não costuma fazer sexo sem proteção com desconhecidos?

5- Você tem pelo menos 3 bons amigos com quem pode contar em um dia ruim, com quem tem conversas significativas e de quem gosta muito?

6- Você participa de alguma comunidade religiosa pelo menos 4 vezes por mês?

7- Você não fuma há pelo menos 5 anos?

8- Você tem a capacidade física e o desejo de alcançar os 90 anos?

Se respondeu sim pelo menos 2 vezes, sua expectativa de vida pode estar próxima dos 68 anos (homens) e 73 anos (mulheres). Se respondeu pelo menos 5 vezes, sua expectativa pode estar entre 78 anos (homens) e 82 (mulheres). Para quem respondeu com SIM pelo menos 7 vezes, as médias são 89 e 93, para homens e mulheres, respectivamente:

1- Não existe uma receita certa e muito menos truque para alcançar a longevidade. Mas é possível repensar o seu estilo de vida, transformando-o de maneira que seja mais fácil incorporar de forma natural atividades saudáveis para o corpo e a mente dentro dele.

2- Proporcione para si mesmo uma vida em que seja natural se exercitar mais. Ande mais a pé, faça tarefas em casa, prefira a escada.

3- Procure uma vida em que comer melhor seja mais fácil. Um local com melhor qualidade de frutas e vegetais à disposição, um ambiente cercado por pessoas que se alimentam melhor.

4- More em um lugar em que seja possível viver mais devagar.

5- Faça uma curadoria das pessoas na sua vida, dê preferência àquelas que reforçam bons hábitos em você.

Artigo por Dan Buettner, na plataforma Plenae.

* Dan Buettner é um National Geographic Fellow e autor de best-seller do New York Times. Ele é um explorador, educador, autor, produtor, contador de histórias e orador público.

 

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