PRECISAMOS FALAR SOBRE FINITUDE

11.09.2019 em Novidades e Inspirações.
Autor do post: Lila Guimarães, jornalista e colaboradora da Donato.

Finitude, um assunto de todos

Mais do que falar sobre longevidade, é preciso falar sobre finitude. Hoje, o assunto está em voga e profissionais de áreas diferentes como Medicina, Psicologia, Sociologia, Filosofia e Direito, se mobilizam para construir um novo olhar, com novas possibilidades para encararmos a finitude com mais consciência. Afinal, o assunto, em plena revolução, diz respeito a todos, embora nossa cultura ocidental tente negar sistematicamente esta condição universal e imutável de temporalidade.

Quando muito jovens, parece que estamos alheios a esses pensamentos e tudo o que termina está longe, orbitando um futuro que não chega tão rápido. Parece que temos todo o tempo do mundo. Já a maturidade nos dá a dimensão efêmera e maravilhosa da vida. Passamos a prestar mais atenção na finitude das coisas, das pessoas, e então temos duas escolhas: ignorar esse fato ou olhar para ele com sinceridade. Com a segunda alternativa, menos escapista, driblamos medo e preconceito para quem sabe descobrirmos um novo e mais positivo ponto de vista sobre isso tudo. E, melhor, um ponto de vista claro com informações preciosas que podem nos ajudar em processos delicados.

O sentido da vida

Para muitos que se debruçam sobre o tema, é exatamente a finitude que faz o brilho da vida ser mais intenso, e que ressignifica a nossa existência. Recentemente, um vídeo da filósofa e socióloga Viviane Mosé (clique aqui para ver na íntegra) ganhou destaque nas redes sociais com um texto preciso e inspirador: “Como lidar com a finitude? A resposta é: é preciso lidar. Como lidar com a finitude? Cada pessoa vai encontrar o seu modo próprio. Inclusive, o que deveria caracterizar a vida de cada um é o modo como cada um lida com a finitude. É lidar com a finitude que caracteriza a nossa ação no mundo. É a partir dessa relação que a gente se organiza”, um trecho da autora. Ela ainda ressalta a importância de pensar sobre a finitude porque ela traz também a noção e o sentido da urgência: “Se minha vida é finita, cada segundo vale, e muito.”

Aprofundando esse pensamento, a autora, psicóloga e especialista em Gerontologia, Ligia Py, ainda ressalta que a finitude é a responsável pela construção da felicidade humana, mais do que a falsa e efêmera sensação de felicidade baseada em ideais hedonistas da eterna juventude. “A contradição é justamente essa. Quando nos deparamos com estes temas reais, concretos, nós temos a oportunidade de criar um convívio entre nós muito mais proveitoso, de usufruir de felicidades de verdade, de usufruir de solidariedade humana”, ela disse durante sua participação no programa Café Filosófico da TV Cultura (para assistir na íntegra, clique aqui).

Uma chance de viver melhor

Portanto, parece que pensar na finitude é também pensar na vida. Pensar no que podemos fazer para viver, cada dia, com o melhor da nossa competência humana, algo que é essencialmente único e intransponível. Essas descobertas são formas de iluminar o sentido de tudo e de construir um legado. De nos ajudar com escolhas importantes, de equilibrar o que de fato pode fazer a diferença no final das contas, e em como podemos aproveitar esse mundo tão ilimitado.

A finitude é um farol e não uma sombra. Olhar para ela é também uma chance de viver melhor e de forma mais estratégica. Como sugere o médico gerontólogo e presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, Alexandre Kalache – também durante uma participação no Café Filosófico (veja na íntegra clicando aqui) – “Uma maratona você não chega no final se você não tiver estratégias, se você não desenvolver habilidades, se você não treinar. É preciso se preparar bem para chegar lá.” Para isso, o médico criou uma lista com 4 capitais que devem ser acumulados durante a vida para vivermos bem até o final, já que a vida está cada vez mais longa: capital de saúde, capital dos conhecimentos, capital social (amigos, familiares), e capital financeiro.

Podemos falar mais sobre isso e dar mais detalhes sobre essas ideias em um próximo texto. Por agora, deixamos a reflexão no ar e ainda indicamos dois livros que mergulham fundo no assunto: Mortais, do médico norte-americano Atul Gawande, e A morte é um dia que vale a pena viver (E um excelente motivo para se buscar um novo olhar para a vida), bestseller da médica brasileira Ana Claudia Quintana Arantes. Obras que tocam com delicadeza e maestria nessa ferida existencial, sucessos recentes que revelam o quanto, afinal, precisamos falar sobre a finitude.

 

Foto: Plush Design Studio, no Unsplash

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