Sucesso de bilheteria nos EUA e provocando reações fortes – boas ou ruins – por onde passa, o filme é uma sci-fi pé no chão. Desde o formato que lembra o de um documentário à escolha de atores desconhecidos, passando pelos diálogos totalmente improvisados, tudo em “Distrito 9” quer dar a sensação de realidade.
– Sou um geek de ficção científica e pensei em fazer um filme que eu mesmo quisesse ver. Pensei que, se transformasse uma ficção científica em algo parecido com o real, gostaria de assistir – explica o diretor estreante Neill Blomkamp, um sul-africano que reuniu no filme suas duas maiores obsessões, a história de seu país e sci-fi. – Essa situação dos alienígenas refugiados em Johanesburgo foi uma forma de fazer um retrato de várias coisas que tiveram um efeito muito forte em mim quando criança, como apartheid, segregação, repressão e xenofobia.
Produzido por Peter Jackson (“Senhor dos Anéis”), que descreve o filme como “algo que você nunca viu”, “Distrito 9” é uma alegoria sobre o apartheid. Nas décadas em que ficam presos na Terra, os alienígenas são tratados como párias da sociedade, aprisionados a um gueto, catando lixo para sobreviver e barrados em vários locais (vide o cartaz nesta página). Um dia o governo decide remover os prawns – camarões, como são chamados – da favela onde moram para algo parecido com um campo de concentração. É aí que entra o protagonista, vivido pelo desconhecido sul-africano Sharlto Copley.
– Wikus Van De Merwe é um africâner burocrata, típico da velha África do Sul. Ele tem um emprego seguro, atrás de uma mesa, até que é obrigado a ter que lidar com essas criaturas difíceis. Ele é um peixe fora d’água – conta Copley.
Wikus é um cara comum – meio bobo – que recebe a missão de comandar a remoção dos alienígenas. E é aí que começa a sua transformação, inclusive física.
– Assim que criei a voz dele, determinei como ele seria no início do filme. Ele vai do humor à seriedade. Não tinha ideia de que a situação dele ficaria tão intensa e dramática – conta Copley, que improvisou suas falas, como todo o elenco. – Jogamos fora os diálogos escritos, mas o roteiro era claro e estruturado sobre o que aconteceria nas cenas.
* A repórter viajou a convite da Sony Pictures


