Quando se fala em Andaluzia, a imaginação corre para Sevilha e para o litoral. Mas basta seguir para o interior para descobrir outra Espanha: mais silenciosa, mais antiga, mais íntima. Uma terra de mouros e reis católicos, de cavernas habitadas e de oliveiras a perder de vista.

Fomos conhecer uma outra Andaluzia a convite da Oficina Espanhola de Turismo (Turespaña) no Brasil, gentilmente acompanhados por Viviane Simão, com o Turismo de Granada e da Andaluzia, num fam tour, a viagem em que agentes conhecem de perto um destino antes de levá-lo aos viajantes.

Quem nos acompanhou foi o guia Juan Antonio Ruiz, que fala com a alma de um andaluz. E levamos na bagagem uma pergunta mais antiga: como os andaluzes conseguem viver tão bem, e há tantos séculos, sem nunca parecer ter pressa?

Granada: A água que devolve vida a Alhambra

Chegamos a Granada, a porta de entrada, que merece uma confissão: eu achava que já conhecia a Alhambra, o monumento mais visitado da Espanha. Não conhecia. Eu não havia notado que a riqueza está na água correndo pelos canais estreitos, num jardim que a cada esquina oferece a sombra fresca do Generalife numa manhã de outubro.

Saímos meio tontos e fomos almoçar num carmen do Albaicín, no monte em frente, com a fortaleza inteira servida como sobremesa diante da mesa. À tarde, os banhos árabes completaram o serviço: ninguém no grupo tinha mais opinião forte sobre coisa alguma.

À noite, no Sacromonte, o flamenco aconteceu dentro de uma gruta, com uma voz que parecia vir de muito antes de quem cantava. Tentei acompanhar as palmas três vezes. Na quarta, desisti com dignidade e me limitei a admirar.

Geoparque de Granada: paisagens do fim do mundo

Depois, a paisagem mudou de ideia. O Geoparque de Granada, onde um dia houve um grande lago e um rio, a erosão esculpiu cânions avermelhados e badlands que lembram o oeste americano. É um dos registros geológicos mais completos da Europa: cinco milhões de anos de história da Terra, com fósseis e alguns dos vestígios humanos mais antigos do continente.

De repente, brotam do chão chaminés brancas: são as casas-cueva, escavadas na rocha e habitadas desde a Idade Média, frescas no verão e aconchegantes no inverno. Em Almagruz, entendemos como se vive debaixo da terra sem perder a vista do céu. Guadix, que se apresenta como a capital europeia das cavernas, divide o horizonte entre a catedral e as grutas. Nos miradouros do fim do mundo, o chão simplesmente acaba; nos de Negratín, a água turquesa aparece entre as montanhas como quem guarda um segredo.

Oleoturismo em Jaén: o ouro líquido do Castillo de Canena

Na região de Jaén, as oliveiras ocupam o horizonte com disciplina quase militar. Foi ali, a poucos quilômetros de Úbeda, que conhecemos o Castillo de Canena. Quem nos recebeu foi Paco, ou Francisco Vañó. Em 2003, ele e a irmã, Rosa, deixaram cargos de direção em multinacionais como o Banco Santander e a Coca-Cola para transformar o negócio da família, que vendia azeite a granel, numa marca de alta gama. Deu certo: hoje a casa está entre as referências mundiais do azeite premium. O almoço foi farm to table, com cada prato vindo do que nasce ali mesmo, a poucos passos da mesa.

Na almazara, aprendi que azeite bom arranha a garganta e que tossir durante a degustação não é falta de educação. É elogio.

Úbeda e Baeza, renascimento raro na Andaluzia

Numa região marcada pelos mouros, Úbeda e Baeza contam outra história.

Separadas por apenas 9 km, foram das primeiras cidades da Espanha a adotar o desenho do Renascimento italiano, no século XVI, e ajudaram a espalhar essas ideias pelo país, muitas vezes pelas mãos de Andrés de Vandelvira. O que as torna únicas na Andaluzia é a mistura: as formas clássicas vindas da Itália somadas à herança islâmica e a uma cantaria de pedra impecável. E as duas se completam: Úbeda ficou com os palácios da nobreza; Baeza, com as igrejas e a universidade.

Em Úbeda, dormimos num palácio. Na Plaza Vázquez de Molina, sentei num banco de pedra e passei um bom tempo sem fazer absolutamente nada, o que, pelo que entendi, é o esporte regional.

Em Baeza, diante da Antiga Universidade, onde Antonio Machado deu aulas, fiquei pensando em quanta poesia cabe numa cidade daquele tamanho. Incluindo um Parador, edfícios históricos convertidos em hotéis.

Em resumo

Um roteiro que passa pelo interior da Andalusia, com Granada (Alhambra, Generalife, Albaicín e flamenco no Sacromonte), o Geoparque de Granada e suas casas-cueva em Guadix, oleoturismo no Castillo de Canena, em Jaén, e as cidades renascentistas de Úbeda e Baeza, Patrimônio Mundial da UNESCO.

Voltei com a mala do mesmo peso e uma convicção nova: a Andaluzia não se vê correndo. Ela ensina, devagar, que uma vida fora do comum é feita de almoços longos, tardes sem relógio e boa companhia. Exatamente o jeito Donato de viajar.

Perguntas frequentes sobre o grupo Donato para a Andaluzia

Quando sai o grupo da Donato para a Andaluzia?
Em setembro de 2027. Os detalhes do roteiro serão divulgados no lançamento; quem se cadastra na nossa newsletter ou fala com a equipe pelo WhatsApp recebe as informações em primeira mão.

Setembro é uma boa época para viajar ao interior da Andaluzia?
Sim. O calor intenso de julho e agosto já ficou para trás, os dias ainda são longos e as noites são agradáveis para jantar ao ar livre. A colheita da azeitona começa no outono, mas os olivais e as degustações de azeite podem ser visitados o ano todo.

O roteiro é adequado para viajantes acima de 65 anos?
Sim. O ritmo é tranquilo, com tempo livre todos os dias, e o grupo é pequeno e acompanhado do início ao fim por um anfitrião Donato. Em bairros com ladeiras e calçamento de pedra, como o Albaicín, usamos transporte até os miradouros.

Posso viajar sem conhecer ninguém?
Pode, e muita gente faz isso. Boa parte dos nossos viajantes vai sem acompanhante, faz amizades ao longo do caminho e se sente segura por ter o grupo e o anfitrião Donato por perto, das refeições aos passeios.

Vou ter tempo só para mim ou tudo é feito em grupo?
As duas coisas. O roteiro alterna visitas e refeições em grupo com tardes livres para descansar no hotel, caminhar sem pressa por Úbeda ou voltar a um café do Albaicín. Quem prefere a companhia do grupo também nunca fica sozinho.

Como garantir um lugar no grupo?
Fale com a nossa equipe pelo WhatsApp +55 11 92120-4503, de segunda a sexta, das 9h às 18h, ou acompanhe a página deste grupo. Os grupos são pequenos e as vagas, limitadas.

 

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